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Capitães da Areia

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Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro.
Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. Em 1944 conheceu nova edição e desde então sucederam-se as edições nacionais e estrangeiras, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema.
Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza, dramatismo e lirismo poucas vezes igualados na literatura universal, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia.

Dividido em três partes, o livro atinge um clímax inesquecível no capítulo .Canção da Bahía, Canção da Liberdade., em que é narrada a emocionante despedida de um dos personagens da história, que se afasta dos seus queridos Capitães da Areia .na noite misteriosa das macumbas, enquanto os atabaques ressoam como clarins de guerra.

256 pages, Paperback

First published November 1, 1937

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About the author

Jorge Amado

151books1,520followers
Jorge Amado was a modernist Brazilian writer. He remains one of the most read and translated Brazilian authors, second only to Paulo Coelho. In his style of fictional novelist, however, there is no parallel in Brazil. His work was further popularized by highly successful film and TV adaptations.
He was a member of the Brazilian Academy of Letters from 1961 until his death in 2001. In 1994, his work was recognized with the Camões Prize, the most prestigious award in Portuguese literature.
His literary work presents two distinct phases. In the first, there is a clear social critic and political focus, with works such as Captains of the Sands and Sea of Death standing out.
In his more mature phase, he adopts an aspect of good-humored and sensual chronicler of his people, abandoning ideological motivations, with works such as Gabriela, Clove and Cinnamon, The Double Death of Quincas Water-Bray and Dona Flor and Her Two Husbands.

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Profile Image for í.
2,243 reviews1,153 followers
November 30, 2024
Jorge Amado was only 25 when he wrote: "Captains of the Sands" in 1937.
This novel takes place in Salvador de Bahia, the former capital of Brazil and a point of convergence, at the time of slavery, of European, African, and Amerindian cultures.
The lowlands of this city, steeped in history and home to the most diverse communities, will inspire the great Brazilian novelist throughout his career. The fate of the underprivileged, the living conditions of those left behind, and social injustices will permeate this writer's work, which is close to the people.
We meet a group of teenagers left to their devices in an abandoned warehouse at the end of a sandy no man's land.
Volta-Seca, Sem-Pernas, The Professor, Pirulito, and The Cat are the nicknames they attribute to each other. Only a scarred blond, their leader Pedro Bala, kept his late father's name, the union leader of the dockers trampled by the cavalry ten years earlier.
These abandoned children only have the resources to survive. Begging and theft share their daily lives. Their dagger and razor dexterity compensate for their lack of strength against adults. Their cooperation, friendship, and great solidarity allow these young boys who need love to cling to individual humanity despite everything.
The only adult to know their landmark, Father José Pedro, has all their confidence. Some are sensitive to his message of peace. But the vast majority do not have the soul of an altar boy, and primary instincts often take precedence over reason.
The reader will nevertheless appreciate the wanderings of these naughty kids in the heat of the flowery streets of Bahia.
An enormous gap then appears between the impoverished slums of the port and the wealthy residences in the upper part of the city. By small touches, without forcing the line, the writer gives the impression of idealizing the Captains of the Sands; he does not glorify their exactions but is not far from finding excuses for them in the face of the cruel world imposed on them.
Nearly a century later, the disparities within Brazilian society are hardly less glaring, and the mass protests in the country's major cities in recent weeks would likely have inspired the late Amado's militant pen.
Profile Image for Célia Loureiro.
Author26 books925 followers
January 24, 2022
Em Setembro de 2014 fui a Salvador da Bahia. Esperei muita coisa do Brasil e da América do Sul, mas esqueci-me da literatura. Isto é, a minha ideia estava toda errada: no meio da pobreza, que não é pouca, há uma beleza pulsante, uma bondade comovente por entre as dificuldades e a emergência de um orgulho triste, o que advém de amarmos a terra que sabemos condenada. Parece que na Terra vem tudo em dois punhados: algo de bom e algo de mau, e a beleza é o que emerge do modo como o povo joga com estas duas energias.
Quando leio romances sul-americanos, fico sempre assombrada por quanto Gabriel García Márquez, Isabel Allende e agora Jorge Amado extraem destes solos. Atenção que a Isabel, assim como a Laura Esquível, além de excelentes romancistas que retratam os costumes da sua gente� Mas há algo de visceral na escrita do Garbo e do Amado. Sem dúvida que Jorge Amado é para seguir.
Dizia que, em Setembro de 2014, fui a Salvador da Bahia. Podem ler sobre isso
... Fiquei no Pestana Bahia, que é um cinco estrelas com avisos sobre a bicharada que pode entrar pela janela à beira da praia do Rio Vermelho. Na altura, alguém disse que aquela era a praia dos Capitães da Areia. Não sabia quem eram os Capitães da Areia e agora, depois de ler sobre as suas aventuras, jamais poderei deixar de os associar ao modo como a noite caía nesse areal no Hemisfério Sul.
Jorge Amado foi bacharel em Direito, por isso um “dotôrzinho�, oriundo de um mundo a léguas de distância do areal dos Capitães da Areia. Para vos situar: os Capitães da Areia são os órfãos, as crianças maltratadas, os negligenciados, ignorados e esquecidos de Salvador da Bahia. Unidos sob a capitania de Pedro Bala, um moleque de 15 anos, formam os Capitães da Areia: primeiro um bando de ladrões, depois uma tropa de choque a favor das greves dos pobres, quando o seu capitão descobre que o próprio pai era estivador e morreu em greve pelos direitos dos seus.
Cada um dos Capitães da Areia tem uma história de abandono, violência e sofrimento. São felizes na liberdade, mas procuram o seu rumo: Gato é feliz com a brilhantina no cabelo e os sapatos engraxados, e dorme com Dalva, uma prostituta pelo menos duas décadas mais velha do que o menino. Sem Pernas foi sovado e humilhado pela polícia por ser coxo, vive no terror de voltar a ver-se nessa vulnerabilidade, e por isso se torna o mais arisco de todos, embora também ele não seja imune a rasgos de verdadeira humanidade. Professor quer ser pintor: dá cabo dos olhos à luz das velas, no trapiche, a passar em revista os livros a que consegue deitar a mão, e a lê-los para os outros capitães. João Grande é um preto enorme, que chamam de burro mas que é aquele cujo coração e a moral parecem mais intactos. Pirulito tem vocação religiosa; influenciado pelas palavras amigas do Padre José Pedro, que é contra meterem os meninos no reformatório da cidade, onde apenas receberiam surras e passariam fome, sonha em vir a trajar uma batina. Tantos outros, entre os quais surge Dora, uma menina cuja mãe sucumbiu à epidemia de varíola no seu morro, e que se junta aos meninos, tão corajosa quanto eles, e vira a primeira Capitã da Areia. Mas nem todos são felizes sem mãe, sem família, sem um carinho na cabeça, um aconchego na hora de se irem deitar. Nem todos são felizes deitados por entre os ratos, escondidos da polícia e do reformatório, a aplicar golpes em quem tem mais do que eles, a enganar os marinheiros com baralhos marcados no cais, a recolher níqueis por desenhar a giz na calçada da cidade e a recorrerem às macumbas da Mãe de Santo, don'Aninha sempre que um menino cai doente.
Os ideais comunistas pulsam aqui, pelo que não é de estranhar que o livro tenha sido apreendido após o seu lançamento, em 1937, e queimados cerca de 800 exemplares em praça pública. Mas não é apenas a política que mexe com a sociedade baiana nessa época: Jorge Amado foi mais longe. Falou de pederastia, de sexo, de sodomia, de oficiais malvados e de directores de reformatórios ambiciosos e cruéis. Tudo isto ofendeu a época� O rico na abundância e o pobre descalço, no morro. O rico com a sua vacina para a varíola e o pobre no terreiro, a suplicar a Omolu pelas vidas dos seus que caem de bexiga�
Infelizmente, o Brasil ainda não mudou tanto assim desde este retrato de desigualdade que Jorge Amado nos presenteia.É um dos livros mais belos que li na vida, de heroísmo, amadurecimento, bondade e injustiça. Espero que o Brasil encontre o seu caminho rumo ao bem-estar do seu povo, para que os corruptos sejam afastados, o povo deixe de morrer nas urgências da saúde pública e a média de assassinatos em brigas em Salvador deixe de ser de 18 pessoas por semana, como era em Setembro de 2014.
Profile Image for J.L.   Sutton.
666 reviews1,167 followers
March 21, 2022
"Legless stood stock still...his hand to his face at the spot where Dona Ester had kissed him...Only the soft caress on his face...In the whole universe there was only the soft feel of that maternal kiss on Legless’s face."

Canal do Youtube do TCA exibe o filme

The newspaper articles framing Jorge Amado’s Captains of the Sands provide a touch of realism while introducing the underlying conditions and hardships facing a group of orphans in Bahia. I liked this introduction and the first number of chapters that chronicled the exploits and streets smarts of the Captains of the Sands. This group is made up of about 100 youths who sleep in an abandoned warehouse and eke out a starvation existence by thieving. In the various chapters, the focus shifts between one of several characters in the gang. This makes it feel like a collection of stories rather than a novel. The pretext that this is an objective documentation of events also falls away with each successive story. Through it all, though, there is a sense that there are no alternatives for these orphans if they want to survive. They are led by Pedro Bala (Bullet).

It took me quite some time to come to terms with the leader’s casual rape of a 15-year old girl. For a while, I tried to convince myself that we were not meant to approve of Bullet or the actions of the other Captains of the Sands. Cruelty is not a stranger in their lives. Why should they be expected to treat others with a humanity that is denied to them? However, with no more mention of the assault (he later thinks about his sport of ‘pulling little black girls onto the sand� to have his way with them as different than his love for Dora), the narrative moves forward. Worse yet, it is clear that we are meant to admire Bullet. Frankly, to have him romanticized after that is galling.

What was still compelling was the inability of any of the other orphans to achieve their dreams. They recognize that such dreams are impossible and sabotage them if there’s a chance at them coming true. For instance, at one point, Legless is taken into a home with a woman who treats him like a mother. Instead of accepting the love he has yearned for he lets the gang know how best to rob the house and disappears. When the Professor’s artistic skill is admired by a man who is in a position to help him with his art, the Professor throws the man’s card away and tells Bullet that all they’ll ever be is thieves. Though some of the gang including the Professor move away from the gang near the end in order to chase after their dreams, a pervading feeling remains that nothing has changed the way a class-conscious society looks down on the less fortunate. That’s probably why the very last pages of Captains of the Sands resound with such revolutionary fervor. That was the biggest strength of this work. More than anything else, Amado wanted the world to understand the suffering of the Bahian people.
Profile Image for Tawfek.
3,480 reviews2,215 followers
August 25, 2023
طوال فترة قراءتي للرواية لا أحلل ولا أحاول الوصول إلي أسباب جمالها.
أنا فقط مستمتع بالرحلة التي أخذتني من سريري إلي شوارع باهيا في البرازيل.
لأقضي وقتي مع فتيان الرمال في مسامراتهم الليلية في المستودع
أو تدربهم علي الكابويرا في المرفأ.
او سرقاتهم العديدة.
او في سرير دالفا مع الهر و في شارع العاهرات
او مع الأستاذ في ركنه المفضل مع كتبه العديدة و معه عندما يرسم لوحة من لوحاته الرائعة
او مع سكر الشعير في ركنه أثناء تعبده للعذراء و المسيح الطفل المشع نورًا
او مع الكوع الناشف و لمبياو اثناء مطاردتهم للبوليس
او مع الجبة اللطيفة أثناء تعلمه السامبا و إحياءه للأفراح العديدة
أو ميت مع قليل العرج علي سفح الجبل بسبب كراهيتنا للعالم
هذا إبداع من نوع آخر تمامًا هذا إبداع إحياء عالم كاملة و شخصيات بأكملها حتي انني اتذكر أسماءهم جميعًا الآن
يا لها من رحلة جميلة و مميزة
يا له من أسلوب رائع و سلس السهل الممتنع بحق
يا له من وصف ساحر ينقلك لبلد آخر رغمًا عن أنفك لتستمتع بالرحلة رغمًا عن أنفك ايضًا !!!
رواية لم تكن في الحسبان رشحها و أعارها لي صديق و كان ترشيح موفق جدًا
Profile Image for Olga.
360 reviews128 followers
August 19, 2024
Although 'Captains of the Sands' reminded me of the Social realism, the books about class struggle from the Soviet era, the author creates a series of vivid portraits of his characters - a gang of homeless children and teenagers on the streets of Bahia in 1930s. Instead of having a childhood every day they fight to survive, sometimes armed with a knife. They are criminals and sinners, the author does not idealise them and their way of life, but he makes it clear that they are victims of social injustice. They have only one another and at the end of the day, are just frightened children inside longing for a little love and warmth but forced to face the cruel reality like grown-up men.

'Through the haze of smoke and dust, we find beauty and poetry in the desolation of the world.'
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'The children of the streets are warriors in the making, their innocence tempered by fire and grit'.
June 12, 2024
RTC

My 15th stop on the world tour took me to the sandy beaches and impoverished areas of Brazil. However I wish I’d have made a different choice for this gorgeous country with such rich culture and intriguing history.

The story was good but didn’t reflect the cultural aspects of Brazil the way other world tour books have. Nevertheless, an interesting story.
Profile Image for Nickolas B..
362 reviews90 followers
April 18, 2019
Σε μια εγκαταλειμμένη αποθήκη της Μπαίας στην Βραζιλία ζουν οι καπετάνιοι της άμμου. Η φοβερή και διαβόητη συμμορία του Πέντρο Μπάλα. Κανένα από τα μέλη της δεν είναι πάνω από 15 χρονών κι όμως είναι ο φόβος και τρόμος της πόλης και του λιμανιού.
Η αστυνομία θέλει να τους συλλάβει, ο Διευθυντής του αναμορφωτηρίου θέλει να τους βασανίσει και ο Αββάς να τους δείξει ότι η καλοσύνη στον κόσμο υπάρχει και είναι χρέος τους να την βρουν....
Ο Χόρχε Αμάντο γράφει ένα βιβλίο για την αθέατη πλευρά της Βραζιλίας. Εκεί που βρίσκονται προαγωγοί, πόρνες, εκβιαστές και δολοφόνοι. Σε αυτό τον κόσμο τα παιδιά της συμμορίας χωρίς κηδεμόνες, χωρίς μοίρα εγκαταλειμμένα στην φτώχεια και την ανέχεια προσπαθούν να αφομοιωθούν σε ένα περιβάλλον που κάθε άλλο παρά φιλόξενα για αυτά είναι.
Η γραφή του Αμάντο είναι απλή και στρωμένη. Το βιβλίο χωρίζεται σε σχετικά μικρό κεφάλαια και είναι ευανάγνωστο χωρίς να χάνει ούτε στιγμή το ενδιαφέρον του. Βέβαια η βαθειά επιρροή του Χριστιανισμού στους κατοίκους της Βραζιλίας - και στον ίδιο τον συγγραφέα - είναι κάτι παραπάνω από εμφανής ενώ υπάρχουν στιγμές που η πίστη στον Θεό μπλέκεται με τις παλιές δοξασίες και παγανιστικές θρησκείες της χώρας.
Εν τέλει ο βραζιλιάνος συγγραφέας μας δείχνει ότι η παιδική αθωότητα είναι πολύ δύσκολο να χαθεί, αλλά αν αυτό γίνει η ανθρωπότητα έχει διαπράξει ένα τεράστιο έγκλημα...

Εξαιρετικό λοιπόν ανάγνωσμα, το οποίο αδικείται κατάφωρα από την ελεεινή μετάφραση και την κακή ποιότητα των εκδόσεων ΠΟΡΕΙΑ.
5/5 για το έργο
0/5 για τις εκδόσεις...
Profile Image for Carmo.
714 reviews537 followers
August 30, 2019
"A liberdade é como o sol: o bem maior do mundo."

"Capitães da Areia", foi escrito em 1937 e no mesmo ano centenas de exemplares seriam apreendidos pela ditadura de Getúlio Vargas que os queimaria em praça pública sob acusação de "propaganda comunista nociva à sociedade".
O papel não resistiu ao fogo mas a força da palavra e da denúncia perdura até hoje, fazendo deste livro um dos mais representativos da obra de Jorge Amado.
O contexto social e politico que fez dele um livro proibido é também o que o mantém como livro de leitura obrigatória. Os tempos de ditadura ficaram para trás (ou não), mas a miséria, a fome, e a luta de classes permanecem e continuam a condenar à rua bandos de meninos que irão levar uma vida marginal, vivendo de roubos e outros delitos. A resposta social é maioritariamente ineficiente e poucos serão capazes de escapar a um destino sombrio.
Passaram-se mais de 80 anos, e tão pequenos foram os passos que se deram.
Profile Image for Warwick.
926 reviews15.1k followers
January 30, 2023


It's strange that of the three books on Brazil that I've read recently, all three were predominantly concerned with the state of Bahia, in the rural and relatively unpopulated northeast. This is where Europeans first settled and it remains, in some strange way, the spiritual heart of the country, even while people and development have moved south towards Rio, São Paulo, and Brasilia. ‘Bahia is something mysterious and big,� Jorge Amado says in a postface to this novel, ‘like India, or islands of the South Seas.�

Here, in the city that's now called Salvador, in the 1930s, we are in the company of a gang of street children who have the run of the city's alleyways, beaches, docks and backstreets. The blurb on the back of my edition calls Captains of the Sands ‘a Brazilian Lord of the Flies�, but a more useful comparison would be with something like Oliver Twist, since the method and the detailed child's-eye view of the city are very Dickensian. Our protagonists are pitched somewhere between folk heroes and social problems�

Dressed in rags, dirty, half-starved, aggressive, cursing, and smoking cigarette butts, they were, in truth, the masters of the city, the ones who knew it completely, the ones who loved it completely, its posts.


Colm Tóibín, in his (otherwise somewhat blustery) introduction to the Penguin edition, speaks of ‘a battle going on…between Amado's mission and his art�, which is a good way of understanding the shifting tone of the book. Later in Amado's career, he would be known for much more lush, poetical novels like Dona Flor and her Two Husbands; whereas this is from his earlier social-realist stage when he was still an enthusiastic Party member. But you can see him struggling to reconcile the two impulses.

On the one hand, a boy of the streets is seen as a kind of mythical embodiment of the Bahian soul � ‘the friend of parties, music, the bodies of halfbreed girls. A drifter. A rowdy. A capoeira fighter, switchblade artist, thief when necessary…� � but on the other hand, these children live lives of deprivation and desperation which Amado is very concerned with communicating.

There are passages in here of incredibly gritty naturalism � the progress of a smallpox epidemic through the city's poor, details of police brutality, a long sequence describing incarceration in solitary confinement. And unlike in Dickens, these are children with real and damaged sex lives, though they are all between eleven and sixteen years old: one has a long-running relationship with a sex worker, while another, in a scene that I found quite extraordinary for a novel from 1937, coerces a girl he meets at night on the beach into anal sex (so she can remain a virgin).

This encounter, which is really a rape, is described without any sentimentality yet with complete sympathy for everyone involved. Later in the novel, when a girl joins the gang, we see the same boy discover, as she helps to fix his clothing, what he had previously never understood: that there can be a distinction between desire and simple affection.

Dora's hand touches him again. The sensation is different now. It's no longer a wave of desire. It's that feeling of good affection and security that his mother's hands gave him. […] No desire. Just happiness.


Though the gang steal and are sometimes violent, in the end ‘they weren't to blame. Life was to blame�, as one sympathetic local priest concludes. It could be an entirely bleak picture, but it's not. Amado's soulful, poetic treatment makes their lives into something transcendent and beautiful, even while refusing to look away from the grim realities.
Profile Image for Marta Xambre.
212 reviews26 followers
December 1, 2021
Passados 20 anos decidi pegar neste livrinho� e só lamento ter demorado tanto tempo a lê-lo� porquê?!!
Apesar de ter conhecimento que é um livro amado por quase toda a gente que o leu (aliás não conheço ninguém que não tenha gostado de “Capitães da areia�), nunca me tinha atraído a sua leitura, e ele lá� paradinho, vinte anos na minha estante, vinte anos à minha espera�
“Capitães da areia� vai ficar, indiscutivelmente, no grupo dos livros da minha vida. Sabem, aqueles livros que nos marcam o coração e a alma de uma forma quase inexplicável? Este é um deles!
Jorge Amado, através das sua palavras possibilitou, de uma forma brilhante e ímpar, que eu viajasse até àquele tempo, àquele lugar e àquelas crianças. Com elas vivi as suas alegrias, tristezas, perdas, esperanças, dores e revoltas. Apesar de serem comportamentos reprováveis e mesmo muito perturbantes para quem assiste a tais barbarices, senti empatia por este grupo de crianças, que nunca tiveram alguém que os educasse, que os amasse e que os valorizasse.
Eram crianças que tinham que ser Homens, eram obrigados a isso, vivendo numa sociedade que os abominava “…eram como homens� Toda a diferença estava no tamanho. No mais eram iguais: amavam e derrubavam negras no areal desde cedo, furtavam para viver como os ladrões da cidade. Quando eram presos apanhavam surras como homens� o que faz a criança é o ambiente de casa, pai, mãe� Nunca eles tiveram pai e mãe na vida da rua. E tiveram sempre que cuidar de si mesmos, foram sempre os responsáveis por si.”�
A narrativa deste livro fez com que eu vivesse intensamente e de uma forma muito preocupada a vida daquelas crianças por isso, se eu fosse uma personagem desta magnifica obra, seria o Padre José Pedro, um amigo, alguém que amou de uma forma despretensiosa estes petizes. Tal como o padre, também eu chorei quando me despedi de cada um destes meninos.
Atendendo aos princípios ideológicos patentes nesta obra, a mensagem fulcral que o autor quis passar, através dos seus capitães, parece-me ser a importância da liberdade na vida de cada indivíduo e a necessidade de lutar para que ela seja alcançada.
O livro foi publicado em 1937 e, na altura, queimado em praça pública� incomodava muita gente� E na atualidade, será que este livro e/ou livros semelhantes ainda incomodam algumas sociedades/ estratos sociais/grupos/ individualidades? Havia tanto a discutir �
Ah é verdade! Fiquei apaixonada pela escrita simples, mas encantadora e envolvente de Jorge Amado. Quero mais! Muito mais!
Profile Image for Caddy Compson.
6 reviews7 followers
November 29, 2011
Jorge Amado wanted to speak against the poverty and misery in Brazil, about all that made those young boys homeless thieves. But he romanticizes these boys in everything they do, even when they rape young black women for sport. In Amado’s books, men always seem to think in poor black women like objects, beings, there just for their pleasure, to cook and to have sex.
In a deeply disturbing scene, the hero [sic] Pedro Bala annaly rapes a fifteen years old black girl after she claims to be a virgin. He menaces her, and she realizes that if she won’t consent [sic] to that, he will take her virginity, and then he tries to rape her anyway because he is still excited. At the end, he lets her go, making her promise that she will meet him in the following day to be annaly raped once again. If she doesn’t show up, he will take revenge on her. Amado writes that she cried of fear, but also that she felt desire, and he actually uses the words “She consented�. He also writes that she behaved as a mad woman, crying and screaming, with terror in her eyes. And that all she felt was pain and fear, and desire to run away. Pedro Bala hates her because she keeps crying, thinking in the end that she was just a kid and regretting ever meeting her, even though he later rapes other girls. He states that he did nothing to her, because she was still virgin. And many people wondered if Amado wrote about her desire because of the image that black girls are always sexually available.
They also try to gang rape a little girl, giving up not because one of them points out repeatedly that she is a child, but because Pedro Bala, who initially stated that it was their right to rape her, gets fascinated by her blond hair. They then stop seeing her as a sexual being, thinking in her as a sweet mother. There is an old prejudice, that women can be either whores or wives. In 19th century Brazil, there was a racist saying: “A black woman in the kitchen, a mulata in the bed and a white girl in the altar�. Amado’s characters sometimes seem to live in these times.
Amado may write in a very poetical manner, but that doesn’t change the facts: if we lived in that city, everyone would be terrified by those boys. It’s an awful cycle: the police brutality makes the boys crueler; their cruelty makes people support police brutality. As terrible as that sounds, when crime rates are too high, people feel safer if the police is killing teenage rapists and murderers, since Brazilian laws state that teenagers can’t be in prison for long, regardless of the crime they committed. Of course they suffered a lot, and I believe that misery justifies petty thefts, but I have always felt that to say that this is a justification for their actions or its reasons is an offense to all those who suffered but never committed rape and murder.
And I believe that, to some extent, to believe that black women are always sensual, always willing to have sex, is a form of racism.
This entire review has been hidden because of spoilers.
Profile Image for Beto.
105 reviews25 followers
November 26, 2012
O primeiro livro que li.
O começo de tudo com uma grande obra.

Não me admira que o grande Jorge Amado tenha sido perseguido devido à publicação deste livro. Retratar uma sociedade desta forma, quando na altura ela assim tal e qual era, a muita gente pode despertar a consciência e a outros despertar o perigo de vida.

Crianças de rua, organizadas, astutas e unidas estas são. Ao lermos este belo livro sabemos que a luta contra a sociedade, contra o sistema instituído e sobretudo contra o fado é dura e uma derrota anunciada. Tal como acontece com estas crianças, lentamente o leitor (pelo menos eu, e espero que muitos outros) vai sentindo um ódio a crescer dentro de si por saber que todos se desresponsabilizam por estas crianças. Em geral, existe um incompreensão por parte da sociedade em relação à situação criminosa destas crianças, porque para se compreender esta situação é primeiro preciso que se tenha em conta que estas crianças são desapoiadas pelas famílias e pelas instâncias de protecção social. Contando também que, algumas, são tão crianças que não sabem sequer o significado dos seus sentimentos. O que lhes resta compreender, de imediato, é a SOBREVIVÊNCIA e ADAPTAÇÃO AO MEIO.

Contudo, ao longo da leitura, estas crianças fazem-nos acreditar que é possível contornar o que sempre foi incontornável para os destinados a fracassar e a sofrer. Jorge Amado demonstra-nos que estas crianças nascem muito condicionadas pelo meio, mas que não são pré-destinadas à miséria. Têm uma palavra a dizer acerca de si mesmas, das suas vidas e seus destinos. Agora, é importante que a sociedade ouça essa palavra, como aconteceu com o Professor, Pirulito, João Grande e inclusive Pedro Bala, que apesar de fugitivo lutava por algo muito importante: A LIBERDADE.

Este livro é um retrato social do Brasil que quanto tem de belo tem de triste e penoso também. Por isso este é um livro a ser lido por todos, sobretudo por aqueles que não viram como o mundo e a vida, ainda nos dias de hoje, podem ser duros para alguns seres que por alguma razão (in)consciente nasceram. É essencialmente um livro político, um grito de justiça, igualdade e liberdade, daí a perseguição ao Amado.

O único aspecto que incomoda a própria constituição do livro, penso que são alguns erros na forma como Jorge Amado o escreveu. Alguns excertos, principalmente introduções e descrições de personagens, parecem-me um pouco descontextualizados. Apesar de pequenos, por vezes quebram a narrativa. Exemplo: explanação dos primeiros contactos do Padre José Pedro com os Capitães da Areia quando é apresentado pelo Boa-Vida.

Apesar deste último apontamento, sinto-me lisonjeado por ler coisas desta natureza.
Profile Image for Katie Lumsden.
Author3 books3,571 followers
September 9, 2021
Maybe 3.5. There were a lot of things I loved about this - the writing was great, the set up really intriguing, and some moments wonderfully powerful. I didn't love the way sexual violence, and violence in general, was handled in this book, though, and there were some sections that sat uneasily with me.
Profile Image for Algernon (Darth Anyan).
1,721 reviews1,092 followers
July 11, 2023
Dressed in rags, dirty, half-starved, aggressive, cursing and smoking cigarette butts, they were, in truth, the masters of the city, the ones who knew it completely, the ones who loved it completely, its poets.

Like its author, I feel unapologetic about loving this story to bits, despite being aware of its shortcomings and its problematic depiction of rape. The work of a young author in love with his home city and with the colourful life of its inhabitants, the novel is part of a militant six book series written between the ages of 18 to 24 for the dual purpose of capturing the soul of Salvador de Bahia and inspiring revolutionary fervour in the readership.
Written in 1938, in the aftermath of the Great Depression and the rise in communist sympathies in the ‘lower� classes, the novel was banned and burned in the same city so lovingly portrayed here yet, over time, it has become a classic despite its very real issues.
The author felt the need to defend his youthful enthusiasm in a postscript that I also find is needed here before I dive into the actual story.

No one knows better than I, who wrote them, what the weaknesses and defects of my novels are. But, by the same token, no one can measure the sacrifice they cost me, the honesty that went into their making, the disinterest and pure love that made the novelist return to his people.
I know full well that this series of novels has nothing of genius or the miraculous about it. The work of a young man, it could not help but be full of defects. I do know, however, that there exists in it a feeling that has almost always been forgotten in Brazilian works of art: an absolute solidarity with and a great love for the humanity that lives in these books.


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Today he is fifteen. For ten of these years he has wandered about the streets of Bahia. He never knew anything about his mother, his father died of a bullet wound. He was left alone and he spent years learning about his city. Today he knows all its streets and all its alleys. There isn’t a shop, store, establishment that he doesn’t know.

Pedro Bala is the leader of a gang of feral children who hunt the streets of the city by day, break into homes by night and hide from police and social services in an abandoned warehouse by the beach. The newspapers have named them the Captains of the Sands and they are the most notorious and chased of street gang in Bahia.
To Jorge Amado, they are foremost and most importantly lost children in need of love and shelter, boys who must survive by their wits in a hostile adult world, rejected by polite society, vilified by the press and turned into outlaws by police brutality and by poverty.
They have nowhere and nobody to turn to for help but each other, a band of brothers (comrades) who live by their own code of street honour and whose daily strife is compensated by the greatest gift the city has to offer: the adventure of freedom in the streets of the most mysterious and beautiful city in the world, in the streets of Bahia de Todos os Santos, the bay of all saints. as Father Jose Pedro explains why a state run orphanage would not be right for the captains.

In the moonlight, in an old abandoned warehouse, the children are sleeping.

The author doesn’t try to hide his love for his little hooligans, making real efforts here to portray their life of crime and the squalor of their abode in a sympathetic way. The modern reader will have a harder time swallowing this, in particular a repulsive rape scene by the leader of the Captains, Pedro Bala. And this is not the only incident of abuse of women in the book. When he managed to get a little black girl on the sand, it was with the help of others, by force.
Similarly evident are Jorge Amado’s communist sympathies, something probably understandable in the aftermath of the Great Depression [the series of six Bahian books were written in the 1930s]. John Steinbeck, who I also re-read recently, had a similar attitude in his social novels, although Amado is much more trenchant in his call to revolution.
In his later novels, Amado abandoned the militant tone, if not the sensibility towards the oppressed. And his love for Bahia and for its laid-back, colourful lifestyle only increased, as I noticed in my favourite story from him: Dona Flor and Her Two Husbands.
I actually learned a new word that is very fitting for both the early and the late novels: malandragem : is a Portuguese term for a lifestyle of idleness, fast living and petty crime � traditionally celebrated in samba lyrics, especially those of Noel Rosa and Bezerra da Silva. [wiki]

Amado tries, and in my opinion succeeds, in making folk heroes, cultural icons from his captains of the sands. One of them, Good-Life or Boa-Vida, is like a poster boy for this malandragem life, not interested in money or a job, only in parties, drinking, making music and love, walking leisurely on the city streets.
Another national icon, revered in the book by Dry-Gulch, the angriest of these dangerous urchins, is Lampiao, a cruel bandit in the eyes of landowners and government officials, but a sort of Robin Hood to the people of the back country.

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Literary, the style is a bit more awkward than in Dona Flor, but it is clear this is a labour of love, and signs of what Amado will eventually achieve as a wordsmith are here allright.

... he took what he needed from Charles Dickens and used also the form of the folktale, the picaresque novel, and the documentary novel.

There is no actual plot, or character development, just a series of vignettes from life on the streets with eventually a sort of plot progression following the way the children grow up to either be destroyed by the system or be absorbed into the life of the city.
Pedro Bala the ‘Bullet� is the gang’s leader and the focus of the novel, but many short stories follow his lieutenants: the Professor, Legless, Big Joao, Lollipop, Good-Life, Cat, Dry Gulch and others. There are few adults who penetrate the secretive gang of criminal children, yet they admit in their secret hideaway people like God’s Love [the sailor who is teaching them capoeira], Don ‘Aninha [the candomble priestess], Father Jose Pedro [the poor priest who tries to help the captains].
There are no girls in the group, at least in the beginning, and the captains are quite repulsive in their early manhood, as I mentioned earlier. The author seems aware of this issue and will add a new member to the gang later in the novel, an orphaned girl who loses her parents in a smallpox epidemic.
From a target of gang-rape, this young girl manages to become their mother-sister-wife-saint symbol, a full rights partner who joins the boys on their raids in the city and offers spiritual comfort at night. Her story arc ends rather melodramatically, in a Dickensian pastiche, but she did make an impression on me.

I could now tell about the fate of the captains later in life, but I believe this is better left to each reader to arrive at in due time, as they follow the children through the streets of the city. I would only mention that of Pedro Bala, the leader, as indicative of the social awakening role the young author hoped to induce in his readers.

The revolution calls Pedro Bala the way God called Lollipop at night in the warehouse. It’s a powerful voice inside him, as powerful as the voice of the sea, as the voice of the wind, as powerful as a voice without comparison. With the voice of a black man on a sloop singing the samba that Good-Life had composed.

For myself, I want to preserve an earlier scene that shows not the criminals the rest of the world sees in the captains, but the children yearning for love that is their inner soul:

He goes along like a believer to mass, a lover to the breast of his beloved, a suicide to death. He goes pale and limping. He mounts a blue horse that has stars painted on its wooden rump. His lips are tight, his ears don’t hear the music of the Pianola. He only sees the spinning lights, and he comes to the realization that he is on a carousel, spinning on a horse like all those children who have fathers and mothers, a home and someone to kiss them and love them. He thinks he is one of them and he closes his eyes to hold the certainty better.
Profile Image for é.
493 reviews229 followers
October 23, 2016
Uma história forte e triste. Porém, perde-se um bocado o ritmo da leitura devido à escrita do Jorge Amado, a que estamos pouco habituados em Portugal...
O autor faz uma coisa que raramente se vê: não apressa o final!
Profile Image for Rita.
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September 27, 2020
Jorge Amado nasceu a 10 de Agosto de 1912 em Itabuna, no sul do estado da Bahia. Estudou Direito, mas nunca exerceu advocacia. Estreou-se aos 18 anos com a obra , e em 1937 viu toda a primeira edição de Capitães da Areia ser queimada em praça pública, o que o levou, em 1941, ao exílio na Argentina e no Uruguai.
Em 1945 foi eleito Deputado Federal, mas voltou ao exílio em 1947, desta vez em França e Checoslováquia, quando o Partido Comunista foi ilegalizado. Regressou ao Brasil em 1952, em 1961 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Foi membro correspondente da Academia de Ciências de Lisboa.
Foi agraciado com inúmeros prémios internacionais e recebeu diversos títulos, entre os quais:
Vencedor do Prémio í de Camões, em 1995
Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada, em 1990
Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique, em 1986
Jorge Amado faleceu na Bahia em 2001.

Se já tinha gostado deste livro na primeira vez que o li, agora ainda gostei mais. Tornou-se um favorito.
Aquilo que me entristece é olhar para o Brasil e ver que mais de 80 anos depois esta continua a ser a realidade de milhares de pessoas.

Os molecotes atrevidos, o olhar vivo, o gesto rápido, a gíria de malandro, os rostos chapados de fome, vos pedirão esmola. Praticam também pequenos furtos.
Há oito anos escrevi um romance sobre eles, os “Capitães da Areia�.
Os que conheci naquela época são hoje homens feitos, malandros do cais, com cachaça e violão, operários de fábrica, ladrões fichados na polícia, mas os “Capitães da Areia� continuam a existir, enchendo as ruas, dormindo ao léu. Não são um bando surgido ao acaso, coisa passageira na vida da cidade. É um fenômeno permanente, nascido da fome que se abate sobre as classes pobres. Aumenta diariamente o número de crianças abandonadas. Os jornais noticiam constantes malfeitos desses meninos que têm como único corretivo as surras na polícia, os maus tratos sucessivos. Parecem pequenos ratos agressivos, sem medo de coisa alguma, de choro fácil e falso, de inteligência ativíssima, soltos de língua, conhecendo todas as misérias do mundo numa época em que as crianças ricas ainda criam cachos e pensam que os filhos vêm de Paris no bico de uma cegonha. Triste espetáculo das ruas da Bahia, os “Capitães da Areia�. Nada existe que eu ame com tão profundo amor quanto estes pequenos vagabundos, ladrões de onze anos, assaltantes infantis, que os pais tiveram de abandonar por não ter como alimentá-los. Vivem pelo areal do cais, por sob as pontes, nas portas dos casarões, pedem esmolas, fazem recados, agora conduzem americanos ao mangue. São vítimas, um problema que a caridade dos bons de coração não resolve. Que adiantam os orfanatos para quinze ou vinte? Que adiantam as colônias agrícolas para meia dúzia? Os “Capitães da Areia� continuam a existir. Crescem e vão embora mas já muitos outros tomaram os lugares vagos. Só matando a fome dos pais pode-se arrancar à sua desgraçada vida essas crianças sem infância, sem brinquedos, sem carinhos maternais, sem escola, sem lar e sem comida. Os “Capitães da Areia�, esfomeados e intrépidos!

Bahia de todos os Santos, Jorge Amado
Profile Image for Mohamed Shady.
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March 19, 2017
رواية عن العالم السفلي، عالم العصابات والسرقات والقتل، عالم العشوائية والموت الرخيص. عصابة من المراهقين تسمي نفسها "فرسان الرمال"، وهم مجموعة من الأطفال المشردين الذين وجدوا في أنفسهم ملجأً، يقومون بالسرقات والاحتيال والنصب لكفاية أنفسهم.
الرواية جيدة جدًا وبتقدم رؤية تانية للمجتمعات التى تبدو، في ظاهرها، مزدهرة متألقة ولامعة. هناك بشر يعيشون تحت الأرض، ها هم أولاء.
في شبه كتير بين أفراد العصابة والهنود الحمر، فكما الهنود الحمر، فرسان الرمال أيضًا فقدوا حقوقهم، تم استعبادهم وطردهم، يُطاردون ويتم الزج بهم في معتقلات وإصلاحيات تفسد أكثر مما تصلح.
الرواية فيها بعض الشبه بفيلم city of God، اللي بيتم تصنيفه كواحد من أفضل أفلام التاريخ. واللي أنا شخصيًا بحبه بصورة جنونية.
الترجمة كانت كأنها لمترجمين مختلفين، في أجزاء منها شديدة الجمال، وأجزاء أخرى كان بيصيبها بعد الركاكة وقلة الجودة.
Profile Image for Rita (the_bookthiefgirl).
308 reviews75 followers
June 10, 2021
"(...) a cidade era como que um grande carrossel onde giravam em invisíveis cavalos os Capitães da Areia. Neste momento de música eles sentiram-se donos da cidade. E amaram-se uns aos outros, se sentiram irmãos porque eram todos sem carinho e sem conforto e agora tinham o carinho e conforto da música."


A primeira vez que li Jorge Amado foi com a sua obra “A história de amor do gato malhado e da Andorinha Sinhá�. Anos depois, e pouco depois de visitar a fundação Saramago e ver as fotos do mestre com o autor brasileiro, a vontade de ler aquela que consideram a sua obra magistral apertou mais do que nunca.


Não podia ter feito melhor. Que livro incrível. Que humanidade indescritível a cada página. Sabem aqueles livros que nos apegam, são tão queridos e , ao mesmo tempo, tão tristes? Assim é ”Capitães da Areia�. Dificilmente farei jus à escrita de Amado que nos representa um olhar tão humano da sociedade pobre de Bahia, das crianças órfãs que , sendo tão jovens, parecem tão adultas.

Pedro Bala, o Professor, Pirulito, Dora, João Grande, Gato,entre outros são-nos apresentados como algumas das personagens mais vulneráveis da literatura. Cada um deles apresenta os seus escapes, uma visão particular do mundo que, por serem descritos numa idade tão precoce, nos tornam propensos a querer acarinhá-los. Através do cais, do carrossel, das palavras do padre José Pedro, dos cuidados de don'Aninha, da liberdade da noite, da vadiagem, das fugas, os Capitães da Areia prometem-nos uma vida porreta mas, ao mesmo tempo, tão vulnerável, necessitada de carinho.

Percebe-se perfeitamente que Jorge Amado , através desta obra que foi inclusivamente censurada e queimada , em 1937, faz um retrato da sociedade brasileira, das desigualdades sociais, do mau trato das crianças órfãs , do desengano do sistema em submetê-los a reformatórios. Anos depois, esta obra que é deveras classificada como clássico, apresenta, como sempre, uma mensagem intemporal.

Uma obra tão humana, tão incrível e de leitura obrigatória �

"Não deixam os pobres viver...Não deixam nem o deus dos pobres viver em paz. Pobre não poder dançar, não pode cantar pra seus deus (...) Não se contentam de matar os pobres à fome..."
Profile Image for Jim.
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June 23, 2012
I started thinking as I was reading Jorge Amado's Captains of the Sands that it reminded me of A Clockwork Orange, both the novel and the movie. In both cases, there were criminal gangs of young toughs ruled by a canny chief, and both gangs were involved in mayhem, murder, and rape -- but unlike Clockwork, Amado takes his gang, named the Captains of the Sands, from young thugs into mythology. Instead of being involved in some strange pseudo-scientific rehabilitation scheme, what happens to the Captains is that they pass into the myth of Brazil's Bahia of the 1930s.

The Captains include Pedro Bala, their leader; the Professor; Legless; Cat; Lollipop; Dry Gulch; Big Joao. And there is, for a short while, a girl, too, named Dora. Some manage to leave into a better life, some into a worse, and some die. Toward the end, Pedro muses on what has happened to the gang:
Pedro smiled. It was another one leaving. They wouldn't be boys all their lives... He knew quite well that they'd never seemed like children. Since very small, in the risky life on the streets, the Captains of the Sands were like men, were the equal of men. The only difference was in size. In everything else they were equal: they loved and pulled down black girls onto the sand from an early age, they stole in order to live, like the thieves of the city. When they were caught, they were beaten like men. Sometimes they made armed attacks, like the most feared bandits in Bahia. Nor did they talk like children either, they talked like men. They felt the same as men.
In the other works by Amado I had read, I kept feeling myself being drawn into this half Christian/half Pagan world, where the tug between the Church and the Իdzé omnipresent. The Church is mostly on the side of the rich spinsters who keep it in gold and silver, while the Իdzé, and African priestesses like Don'Aninha walk and live side by side with the poor. Amado's Bahia is incredibly rich, and it keeps growing on the reader.

This is a surprising book. I expected it to end one way, but Amado turned the tables on me. I won't say what happens to Pedro and the lovely little Dora, because that was, for me, the surprise. It is hard to believe that Captains of the Sands dates back to 1937. I felt as if I were reading a contemporary novel.



Profile Image for David.
1,603 reviews
December 4, 2019
Capitães da Areia

Captains of the Sand was first published in 1937 and tells the lives of 100 street children living in the slums of Bahia, Brazil. Their gritty, harsh lives consists mainly by stealing and lying to get by under the leadership of Pedro Bala (Peter Bullet). The local authorities along with the Roman Catholic Church made it their mission to crack down on these street kids.

This could be a rather bleak tale (it is) but Jorge Amado builds the story with indelible personalities.

The Professor, who loves to read but also has a wonderful artistic talent. The priest, padre José Pedro who has a good heart and wants to save these “lost souls.� Gato (Cat) is the macho ladies� man and kind hearted, although threateningly large, João Grande. The liar Sem-Pernas, who tries to be adopted by rich families with the through of robbing them blind. A real mixture of characters and stories behind each of them. At the heart is the tragic love story of the leader Pedro Bala and the beautiful Dora.

Throw in the poverty, samba and smallpox outbreak and you have a very entertaining tale. Although my Portuguese was challenged at times, I truly was mesmerized by this book. The last 50 pages are real page turners.

Interestingly when the book was published, it was condemned as being communist and burned. That is odd but typical of the time period. The only reference I could find was the priest was charged as a communist by the committee who reviewed his errant actions. Today, the social realism paints a vibrant story of these children, many who were orphaned and the street life taught them to survive as best as they could.

I read Dona Flor and her Two Husbands a few years back and loved it (old enough to remember the movie with Sônia Braga and loved it). But what amazes me is that this is a classic in Brazil and one that I never knew about (typical me). So I was curious to know what other books were published in 1937? Brave New World, Of Mice and Men, As I Lay Dying to name a few under the social realism category. As I read it I thought of Graham Greene’s The Power and the Glory (1940) about an outlawed priest in Mexico. Of course, when one thinks of gangs, think only of Clockwork Orange, published in 1962. Wow, this book was decades ahead.

This was the case of finding this book in a bookstore and just buying it. Glad I did.

4.5
Profile Image for Walter .
422 reviews6 followers
December 14, 2018
QUE MARAVILHAAAAAAAAAAAAA!

Muito tenho ouvido acerca de Capitães da Areia nos últimos anos. Além de entrar no vestibular da UEMA - instituição da qual faço parte -, também tem sido de outras universidades, além de obra de estudo que vejo com frequência em artigos, monografias, dissertações, teses etc. de todas as áreas científicas. Demorei a lê-la devido à minha listagem imensa de livros pendentes. Mas por fim a oportunidade chegou. E que experiência!

Capitães da Areia é uma história muito bem narrada, muito bem descrita e que atinge o coração como uma espada afilada. Todas as personagens estão bem criadas. Todas as personagens evoluem, crescem e por isso o leitor sente que não está diante uma obra de ficção, mas uma obra de ficção que se fundamenta no humano e na sociedade empírica para construir-se.
Jorge Amado é um artista de pincel grosso. Não pretende ser elegante, fino, aristocrata. Jorge Amado pretende ser direto, incisivo, ardente e passional. É um escritor que quer tocar, que quer penetrar no leitor e fazê-lo ver que a literatura vai muitíssimo além do lúdico - a literatura é a própria vida. Capitães da Areia é a própria realidade que por muitas vezes nos negamos a aceitar que existe. Ainda bem que um dia nasceu a arte para nos recordar que existe o outro.

Enfim, leiam-no quanto antes, por gentileza.
Profile Image for Pilar López.
2 reviews4 followers
October 9, 2012
I read it a few years ago at school. At first, me and my classmates refused about reading it: it was long and sounded bored. I personally love reading but it was hard starting with this one but whan I did, then, I just couldn't stay away from it. The same with my classmates. We all love it. We love every little single part of it. It made us all cry. It made us all fall in love with one of the characters. It made us all read it at least twice. We were around 60 people and now days we all say it's our favourite book.
Profile Image for Ana.
698 reviews158 followers
March 13, 2020
Terminei esta segunda viagem e visita aos "meus meninos" da Baía. Vinte anos depois regressei e, caramba, foi um regresso doloroso, mas obrigatório a uma obra icónica da literatura mundial. O meu cérebro ainda está a processar tudo (com sotaque brasileiro, é claro)!

Opinião completa aqui (a partir do minuto 11:09):
Profile Image for Korcan Derinsu.
458 reviews289 followers
April 26, 2024
4.5/5

Kum Kaptanları, Jorge Amado’nun henüz 25 yaşındayken yazdığı ilk romanı; aynı zamanda benim de kendisiyle ilk tanışmam. Brezilya’nın Bahia kentinde liman civarını mesken tutmuş bir grup sokak çocuğunun hikayesini anlatılıyor genel olarak. Büyük hikaye arkadan aksa da bölümlere ayrılmış bir sürü ufak hikaye okuyoruz. Sokaklarda geçtiği için tahmin edileceği üzere bolca “kötülük� var bu romanda. Hayatın acımasız yüzünü çocuklara nasıl gösterdiğini, şiddetin farklı yüzlerini ele alarak anlatıyor bize Jorge Amado. Bazı kısımları -özellikle çocukların (genç ergenlerin) kadınlarla kurduğu ilişki (tecavüzleri ve tacizleri)- çok ağır. Üstelik bu şiddet dolu iletişim biçimi bu çocukların normali olmuş halde. Yazar buradaki çıkışsızlığı, karanlığı harika aktarmış. Bunu yaparken devlete, kiliseye ve genel olarak sisteme dair de eleştirisini esirgemiyor üstelik. Nitekim kitabın ikinci yarısında, çocuklar başka bir yöne doğru savruluyorlar ve işçi olarak başka türlü bir mücadeleye dahil oluyorlar. Burada yazarın çıkış yolu olarak sınıf bilincini artırmayı ve sosyalizmi önerdiğini görüyoruz. Doğrusu karakterin geçirdiği değişim üzerinden bu önermelere giden yolu da edebi açıdan da duygusal olarak da oldukça başarılı buldum. Finale giden yol biraz hızlı. Bir şey eleştireceksem bunu diyebilirim ancak bir ilk roman olduğunu, 87 yıl önce yayınlandığını düşününce bu da çok dert değil. Özetlemek gerekirse çok severek okudum, yazarın diğer kitaplarını da okuyacağım.
Profile Image for Ensaio Sobre o Desassossego.
380 reviews198 followers
April 22, 2020
Eu ADOREI este livro! Adorei, adorei, adorei. Percebe-se perfeitamente porque é que é considerado um clássico, porque é que este livro é dos livros maiores da literatura. Não só brasileira, não só lusófona, mas mundial. Ah, caraças, que livro! As personagens são tão bem construídas, a descrição das ruas e da vida de Salvador está tão bem feita, a vulnerabilidade e o orgulho dos Capitães da Areia tão bem retratada.

Pedro Bala, Sem-Pernas, Professor, Gato, Pirulito, João Grande, Boa-Vida, Volta Seca são nomes que nos acompanham durante toda a história e são nomes que aprendemos a amar. A dicotomia de serem crianças e, ao mesmo tempo, delinquentes e criminosos está sempre presente. A ideia-chave de Capitães da Areia, uma ideia repetida muitas vezes, é que "a liberdade é como o sol, o bem maior do mundo". A liberdade é o bem maior do mundo.

Ao lermos este livro, percebemos porque é que Jorge Amado foi perseguido e porque é que 800 exemplares foram queimados em Salvador. O livro retrata cruelmente a sociedade de então, em que, por exemplo, os ricos, "lá em cima", tomavam a vacina contra a varíola e os pobres, "cá em baixo", suplicavam a Omolu pelas vidas dos seus que sucumbem às bexigas. Uma sociedade em que os oficiais e os directores dos reformatórios batem e espancam crianças como se nada fosse. Como se as crianças não valessem nada. «O negro sorri, mas Dora sabe que o sorriso dele é forçado, é um sorriso para a animar, um sorriso arrancado à força da tristeza que o negro sente.»

Capitães da Areia não é nada mais do que um retrato da tentativa de luta contra a sociedade, contra o poder instituído, contra o fado de quem nasce e vive nas ruas. «Vestidos de farrapos, sujos, semiesfomeados, agressivos, soltando palavrões e fumando pontas de cigarro, eram, em verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas.»

Perturbador, tocante, ternurento, belo, comovente. Adjectivos que caracterizaram esta obra e, ainda assim, não a descrevem completamente. Um dos livros mais belos e poéticos que já li.

«Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, de todos os peitos explorados da cidade. Voz que traz o bem maior do mundo, bem que é igual ao sol, mesmo maior que o sol: a liberdade.»
Profile Image for Laurinha Lero.
77 reviews583 followers
August 10, 2015
puta boa ideia um livro sobre as crianças pobres da Bahia na década de 30, sobrevivendo de crime e sendo vilificadas pela sociedade. pena que em Capitães da Areia o herói é loiro (?), que todo negro é descrito - pelo narrador, não pelo monólogo interno das personagens - como feio, velho ou burro (???), que a perspectiva de uma mulher estuprada conta que ela "começa a sentir chegar o desejo" (?????) e que a história em si é bem ruinzinha e não vale essa injúria toda

1/5 porque nao tem como dar meia estrela
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