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As Guerrilheiras
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Elas dizem que apreendem na totalidade os seus corpos. Dizem que não privilegiam uma determinada parte sob o pretexto de ter sido outrora alvo de proibição. Dizem que não querem ser prisioneiras da sua própria ideologia. Dizem que não reuniram nem desenvolveram os sÃmbolos que nos primeiros tempos lhes foram necessários para tornar evidente a sua força. Por exemplo não comparam as vulvas ao Sol à Lua à s estrelas. Não dizem que as vulvas são como sóis negros na noite brilhante.
Obra pioneira na luta contra os modelos patriarcais, As Guerrilheiras foi das leituras mais herméticas que já fiz. Normalmente celebrada como marco da literatura LGBT, creio encontrar-lhe muitos paralelos com a tentativa (gorada) de Lessing aquando da escrita de A Fenda, obra que também replica a construção de uma sociedade matriarcal cujos alicerces são postos em causa pela interferência masculina. Todavia, opto por não ler esta obra do ponto de vista daquela que pode ser a preferência sexual das suas intervenientes - que me parece aqui redundante -, mas antes do ponto de vista das estruturas de poder, em cujo caso um posicionamento feminista se torna muito mais abrangente e relevante.
Elas dizem que, sendo portadoras de vulvas, conhecem aquilo que as caracteriza. Conhecem o monte-de-vénus o púbis o clitóris os corpos e os bulbos da vagina. Dizem que se orgulham merecidamente daquilo que foi durante muito tempo considerado o emblema da fecundidade e da força reprodutora da natureza.
Fazendo uso da circularidade - que também se emprega ao nÃvel simbólico (neste caso o "O" como sÃmbolo vulvar e feminino), As guerrilheiras é um livro que se constrói, desconstrói e reconstrói replicando, por exemplo, a ciclicidade dos modelos de organização social, invectivando à criação de uma nova ordem social (que aqui será matriarcal e feminina).
Povoado da sua própria mitologia - que Wittig compila através da justaposição de referências transculturais -, e retomando temas que nos são familiares, a autora propõe uma outra leitura sobre as narrativas de origem, narrativas de formação ou mesmo narrativas escatológicas. À luz dos feminários, que aqui agem como modelos de interpretação, as obras que sustentam a cultura patriarcal são desmontadas :
Elas dizem que os feminários privilegiam os sÃmbolos do cÃrculo, da circunferência, do anel, do O, do zero, da esfera. Dizem que esta série de sÃmbolos lhes forneceu um fio condutor para ler um conjunto de lendas que encontraram na biblioteca e à s quais chamaram o ciclo do graal. Trata-se das demandas para encontrar o graal efectuadas por umas quantas personagens. Elas dizem que não há dúvidas quanto ao simbolismo da távola redonda que presidiu à s suas reuniões. Dizem que, na época em que os textos foram redigidos, as demandas do graal constituÃram tentativas singulares únicas para descrever o zero o cÃrculo o anel a taça esférica que contém o sangue. Dizem que, a julgar pelo que sabem da história que se seguiu, as demandas do graal não tiveram êxito, que se ficaram pelos relatos.
Numa sociedade culturalmente rica (em saberes tradicionais, folclore, transmissão de conhecimento, estruturas de produção etc), Elas, o coletivo que habita estas páginas - e que vai sendo nomeado página sim, página não -
Calipso Judite Ana
Isolda Krista Roberta
Vlasta Cleonice Renée
Maria Beatriz Reine
Idomeneu Guilhermina
Armida Zenóbia Lessia
- vivem uma vida relativamente pacata naquele que pode ser entendido ora como um cenário distópico (se escolhermos ignorar as pistas flagrantes sobre uma natureza luxuriante), ora, mais corretamente, como um cenário utópico ecofeminista - isto é, até à interferência bélica masculina.
O que nos leva à época em que esta obra veio a lume: 1969, ano da derrota de Charles de Gaulle, cerca de um ano após a Crise, a Revolta, a Revolução de Maio de 68 que marca o fim de um sistema arcaico e conservador em prol de uma maior abertura de mentalidade geral, de uma aposta na ciência e no humanismo. Consequência desta concertação quase acidental, as mulheres (já o disse antes aqui) gozam finalmente de um espaço onde se podem devidamente emancipar. Feminismo, ecologia e sustentabilidade começam a ser palavras de ordem. E Wittig é uma das suas porta-voz.
Estamos, portanto, num cenário ecofeminista, filho dos anos 70. E se este é utópico, isso exige rutura. E a rutura dá-se em As guerrilheiras de duas formas:
1. pela rutura fÃsica
Elas dizem que aprenderam a confiar nas suas próprias forças. Dizem que sabem aquilo que significam em conjunto. Dizem: que aquelas que reivindicam uma linguagem nova comecem por aprender a violência. Dizem: que aquelas que querem transformar o mundo arranjem primeiro espingardas. Dizem que recomeçam do zero. Dizem que é um mundo novo que nasce.
2. pela rutura simbólica
Elas dizem que no ponto em que estão devem examinar o princÃpio que as guiou. Dizem que não têm de ir buscar a sua força aos sÃmbolos. Dizem que aquilo que são já não pode ser comprometido. Dizem que por isso é necessário parar de exaltar as vulvas. Dizem que devem romper o último laço que as prende a uma cultura morta. Dizem que todo o sÃmbolo que exalte o corpo fragmentado é temporário, que deve desaparecer. Outrora foi assim. Elas, corpos inteiros primordiais principais, marcham em conjunto rumo a um mundo novo.
Esta última, sobretudo, preocupa a autora (e é importante ter em conta que Wittig segue um feminismo materialista ou feminismo marxista sob esteróides, daà a sua aposta na desconstrução social/cultural) e deixa antever, desde há cinquenta anos, a corrente preocupação com a/s linguagem/ns e, sobretudo, com a cadeia de poder que estas representam. Estruturalmente desafiante, As guerrilheiras é um texto que lida acima de tudo com a desconstrução da linguagem normativa como forma de superação do modelo patriarcal:
Elas dizem: eles mantiveram-te afastada, sustentaram-te, elevaram-te, reduzida a uma diferença essencial.
Dizem: eles tanto te adoraram qual uma deusa, como te queimaram nas suas fogueiras, ou então relegaram-te ao seu serviço nos seus quintais. Dizem: enquanto faziam isto, arrastavam-te sempre pela lama nos seus discursos. Dizem: nos seus discursos eles possuÃram-te violaram-te prenderam-te submeteram-te humilharam-te até à saciedade.
Por essa voz que denuncia, Wittig não escapa ao militantismo, mas o seu é um militantismo de sororidade, cumplicidade e união que faz todo o sentido:
(...)minhas amigas, não vos deixeis enganar pela vossa imaginação. Costumais comparar-vos aos frutos do castanheiro aos cravos-da-Ãndia à s tangerinas à s laranjas verdes, mas sois apenas frutos da aparência. Tal como as folhas ao mÃnimo sopro sois levadas, por mais belas que sejais, mais fortes, mais ligeiras, com um entendimento mais subtil mais rápido. Receai a dispersão. Permanecei juntas como os caracteres de um livro. Não abandoneis o grupo.
E essa é a nota constante neste quasi manifesto, repetida e repetida e repetida como um mantra, assumidamente mÃstica, memorial, histórica, lembrando que é da união que vem a força:
Elas falam juntas do perigo que representaram para o poder, contam como as queimaram em fogueiras para impedir que se reunissem de futuro. Elas conseguiram dominar tempestades, afundar frotas, derrotar exércitos. Foram senhoras dos venenos dos ventos das vontades. Puderam exercer à vontade o seu poder e transformar toda a espécie de pessoas em meros animais, gansos porcos pássaros tartarugas. Dominaram a vida e a morte. O seu poder conjugado ameaçou as hierarquias os sistemas de governo as autoridades. A sua sabedoria soube rivalizar com a sabedoria oficial à qual não tiveram acesso, desafiou-a, surpreendeu-a, ameaçou-a, fê-la parecer ineficaz.
Para um livro relativamente pequeno - sobretudo se tivermos em atenção que se compõe de fragmentos - a leitura de As guerrilheiras é um desafio imenso. A sua vertente filosófica materialista utópica desagua num incitamento revolucionário literal a que nem todos os leitores estão abertos. Numa categoria literária é uma épica (como aquelas homéricas que ainda hoje representam o nosso embasamento cultural) e um livro profundamente disruptivo.
Elas dizem: maldito seja, foi pela astúcia que ele te expulsou do paraÃso na Terra, rastejando insinuou-se junto de ti, roubou-te a paixão de conhecer acerca da qual está escrito que tem as asas da águia os olhos da coruja os pés do dragão. Enganou-te para te transformar em escrava, tu que foste grande forte valente. Roubou-te a tua sabedoria, fechou a tua memória à quilo que tinhas sido, fez de ti aquela que não existe aquela que não fala aquela que não possui aquela que não escreve, fez de ti uma criatura vil e decaÃda, amordaçou-te intrujou-te atraiçoou-te. Recorrendo a estratagemas, fechou o teu entendimento, teceu à tua volta um longo texto de derrotas que determinou como necessárias ao teu bem-estar, à tua natureza. Inventou a tua história. Mas está a chegar a altura de esmagares essa serpente com o teu pé, está a chegar a altura de poderes gritar, erguida, cheia de ardor e de coragem: o paraÃso existe à sombra das espadas.
Estou contigo, Wittig!
Obra pioneira na luta contra os modelos patriarcais, As Guerrilheiras foi das leituras mais herméticas que já fiz. Normalmente celebrada como marco da literatura LGBT, creio encontrar-lhe muitos paralelos com a tentativa (gorada) de Lessing aquando da escrita de A Fenda, obra que também replica a construção de uma sociedade matriarcal cujos alicerces são postos em causa pela interferência masculina. Todavia, opto por não ler esta obra do ponto de vista daquela que pode ser a preferência sexual das suas intervenientes - que me parece aqui redundante -, mas antes do ponto de vista das estruturas de poder, em cujo caso um posicionamento feminista se torna muito mais abrangente e relevante.
Elas dizem que, sendo portadoras de vulvas, conhecem aquilo que as caracteriza. Conhecem o monte-de-vénus o púbis o clitóris os corpos e os bulbos da vagina. Dizem que se orgulham merecidamente daquilo que foi durante muito tempo considerado o emblema da fecundidade e da força reprodutora da natureza.
Fazendo uso da circularidade - que também se emprega ao nÃvel simbólico (neste caso o "O" como sÃmbolo vulvar e feminino), As guerrilheiras é um livro que se constrói, desconstrói e reconstrói replicando, por exemplo, a ciclicidade dos modelos de organização social, invectivando à criação de uma nova ordem social (que aqui será matriarcal e feminina).
Povoado da sua própria mitologia - que Wittig compila através da justaposição de referências transculturais -, e retomando temas que nos são familiares, a autora propõe uma outra leitura sobre as narrativas de origem, narrativas de formação ou mesmo narrativas escatológicas. À luz dos feminários, que aqui agem como modelos de interpretação, as obras que sustentam a cultura patriarcal são desmontadas :
Elas dizem que os feminários privilegiam os sÃmbolos do cÃrculo, da circunferência, do anel, do O, do zero, da esfera. Dizem que esta série de sÃmbolos lhes forneceu um fio condutor para ler um conjunto de lendas que encontraram na biblioteca e à s quais chamaram o ciclo do graal. Trata-se das demandas para encontrar o graal efectuadas por umas quantas personagens. Elas dizem que não há dúvidas quanto ao simbolismo da távola redonda que presidiu à s suas reuniões. Dizem que, na época em que os textos foram redigidos, as demandas do graal constituÃram tentativas singulares únicas para descrever o zero o cÃrculo o anel a taça esférica que contém o sangue. Dizem que, a julgar pelo que sabem da história que se seguiu, as demandas do graal não tiveram êxito, que se ficaram pelos relatos.
Numa sociedade culturalmente rica (em saberes tradicionais, folclore, transmissão de conhecimento, estruturas de produção etc), Elas, o coletivo que habita estas páginas - e que vai sendo nomeado página sim, página não -
Calipso Judite Ana
Isolda Krista Roberta
Vlasta Cleonice Renée
Maria Beatriz Reine
Idomeneu Guilhermina
Armida Zenóbia Lessia
- vivem uma vida relativamente pacata naquele que pode ser entendido ora como um cenário distópico (se escolhermos ignorar as pistas flagrantes sobre uma natureza luxuriante), ora, mais corretamente, como um cenário utópico ecofeminista - isto é, até à interferência bélica masculina.
O que nos leva à época em que esta obra veio a lume: 1969, ano da derrota de Charles de Gaulle, cerca de um ano após a Crise, a Revolta, a Revolução de Maio de 68 que marca o fim de um sistema arcaico e conservador em prol de uma maior abertura de mentalidade geral, de uma aposta na ciência e no humanismo. Consequência desta concertação quase acidental, as mulheres (já o disse antes aqui) gozam finalmente de um espaço onde se podem devidamente emancipar. Feminismo, ecologia e sustentabilidade começam a ser palavras de ordem. E Wittig é uma das suas porta-voz.
Estamos, portanto, num cenário ecofeminista, filho dos anos 70. E se este é utópico, isso exige rutura. E a rutura dá-se em As guerrilheiras de duas formas:
1. pela rutura fÃsica
Elas dizem que aprenderam a confiar nas suas próprias forças. Dizem que sabem aquilo que significam em conjunto. Dizem: que aquelas que reivindicam uma linguagem nova comecem por aprender a violência. Dizem: que aquelas que querem transformar o mundo arranjem primeiro espingardas. Dizem que recomeçam do zero. Dizem que é um mundo novo que nasce.
2. pela rutura simbólica
Elas dizem que no ponto em que estão devem examinar o princÃpio que as guiou. Dizem que não têm de ir buscar a sua força aos sÃmbolos. Dizem que aquilo que são já não pode ser comprometido. Dizem que por isso é necessário parar de exaltar as vulvas. Dizem que devem romper o último laço que as prende a uma cultura morta. Dizem que todo o sÃmbolo que exalte o corpo fragmentado é temporário, que deve desaparecer. Outrora foi assim. Elas, corpos inteiros primordiais principais, marcham em conjunto rumo a um mundo novo.
Esta última, sobretudo, preocupa a autora (e é importante ter em conta que Wittig segue um feminismo materialista ou feminismo marxista sob esteróides, daà a sua aposta na desconstrução social/cultural) e deixa antever, desde há cinquenta anos, a corrente preocupação com a/s linguagem/ns e, sobretudo, com a cadeia de poder que estas representam. Estruturalmente desafiante, As guerrilheiras é um texto que lida acima de tudo com a desconstrução da linguagem normativa como forma de superação do modelo patriarcal:
Elas dizem: eles mantiveram-te afastada, sustentaram-te, elevaram-te, reduzida a uma diferença essencial.
Dizem: eles tanto te adoraram qual uma deusa, como te queimaram nas suas fogueiras, ou então relegaram-te ao seu serviço nos seus quintais. Dizem: enquanto faziam isto, arrastavam-te sempre pela lama nos seus discursos. Dizem: nos seus discursos eles possuÃram-te violaram-te prenderam-te submeteram-te humilharam-te até à saciedade.
Por essa voz que denuncia, Wittig não escapa ao militantismo, mas o seu é um militantismo de sororidade, cumplicidade e união que faz todo o sentido:
(...)minhas amigas, não vos deixeis enganar pela vossa imaginação. Costumais comparar-vos aos frutos do castanheiro aos cravos-da-Ãndia à s tangerinas à s laranjas verdes, mas sois apenas frutos da aparência. Tal como as folhas ao mÃnimo sopro sois levadas, por mais belas que sejais, mais fortes, mais ligeiras, com um entendimento mais subtil mais rápido. Receai a dispersão. Permanecei juntas como os caracteres de um livro. Não abandoneis o grupo.
E essa é a nota constante neste quasi manifesto, repetida e repetida e repetida como um mantra, assumidamente mÃstica, memorial, histórica, lembrando que é da união que vem a força:
Elas falam juntas do perigo que representaram para o poder, contam como as queimaram em fogueiras para impedir que se reunissem de futuro. Elas conseguiram dominar tempestades, afundar frotas, derrotar exércitos. Foram senhoras dos venenos dos ventos das vontades. Puderam exercer à vontade o seu poder e transformar toda a espécie de pessoas em meros animais, gansos porcos pássaros tartarugas. Dominaram a vida e a morte. O seu poder conjugado ameaçou as hierarquias os sistemas de governo as autoridades. A sua sabedoria soube rivalizar com a sabedoria oficial à qual não tiveram acesso, desafiou-a, surpreendeu-a, ameaçou-a, fê-la parecer ineficaz.
Para um livro relativamente pequeno - sobretudo se tivermos em atenção que se compõe de fragmentos - a leitura de As guerrilheiras é um desafio imenso. A sua vertente filosófica materialista utópica desagua num incitamento revolucionário literal a que nem todos os leitores estão abertos. Numa categoria literária é uma épica (como aquelas homéricas que ainda hoje representam o nosso embasamento cultural) e um livro profundamente disruptivo.
Elas dizem: maldito seja, foi pela astúcia que ele te expulsou do paraÃso na Terra, rastejando insinuou-se junto de ti, roubou-te a paixão de conhecer acerca da qual está escrito que tem as asas da águia os olhos da coruja os pés do dragão. Enganou-te para te transformar em escrava, tu que foste grande forte valente. Roubou-te a tua sabedoria, fechou a tua memória à quilo que tinhas sido, fez de ti aquela que não existe aquela que não fala aquela que não possui aquela que não escreve, fez de ti uma criatura vil e decaÃda, amordaçou-te intrujou-te atraiçoou-te. Recorrendo a estratagemas, fechou o teu entendimento, teceu à tua volta um longo texto de derrotas que determinou como necessárias ao teu bem-estar, à tua natureza. Inventou a tua história. Mas está a chegar a altura de esmagares essa serpente com o teu pé, está a chegar a altura de poderes gritar, erguida, cheia de ardor e de coragem: o paraÃso existe à sombra das espadas.
Estou contigo, Wittig!
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As Guerrilheiras.
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March 20, 2025
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March 20, 2025
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March 20, 2025
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lermaismulher
March 21, 2025
–
30.43%
"Os feminários, além dos cÃrculos, dos anéis, dão como sÃmbolo das vulvas os triângulos cortados por uma bissectriz as ovais as elipses(.)Pode-se estilizar as ovais ou as elipses sob a forma de crescentes lunares(.)São os mesmos sÃmbolos que aparecem nos anéis ovais cujos engastes envolvem pedras de todas as cores(.)os anéis são contemporâneos de expressões como as jóias os tesouros as pedras para designar as vulvas."
page
56
March 22, 2025
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53.26%
"Aquela que pergunta qual foi o seu crime, respondem que foi idêntico ao da mulher sobre a qual se escreveu que ela tinha percebido que se podia comer o fruto da árvore do jardim, essa árvore tentadora e desejável para obter o conhecimento."
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98
March 22, 2025
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68.48%
"(...)a coisa mais bela nesta terra sombria será mesmo um grupo de cavaleiros cujos cavalos seguem a trote ou então uma tropa de infantaria esmagando o solo? A coisa mais bela será mesmo uma esquadra de navios lado a lado? Anactória CÃpria Savé têm um andar uma graça um brilho cintilante no rosto mais agradáveis de ver que todos os carros dos LÃdios e os seus guerreiros investindo com as suas armaduras."
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126
March 23, 2025
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69.57%
"Elas dizem: és verdadeiramente uma escrava, se tal coisa alguma vez existiu. Eles fizeram daquilo que os diferencia de ti o sinal da dominação e da posse.(.)Dizem: eles previram tudo, a tua revolta foi antecipadamente baptizada como revolta de escrava, revolta contra-natura, chamam-lhe revolta pela qual te queres apropriar do que lhes pertence, o falo.(.) Dizem: Recuso-me daqui em diante a falar essa linguagem."
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128
March 24, 2025
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Paula
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Mar 24, 2025 11:58AM

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Lá estou eu a estragar os livros para os leitores. É um talento nato.
Paula, há quem olhe para um Mad Max e veja ali uma distopia feminista... Cada um vê o que quer ver, suponho ;)


Pois, já tinhas dito que não parecia talhado à tua medida.
Prontos, despachado e arrumado! :D


I'm glad you brought that up, David! The depiction of the Amazons (as rebellious women) appears often in feminist discussions, tracing back to Christine de Pizan and her City of Women. Perhaps for the first time there, the portrayal carries a notably positive meaning - especially when contrasted with the tales of Ulysses' labours. In this context, the myth undergoes a transformation - aligning with Wittig's idea of dismantling images - and evolves into a gender myth. I think that's the aim of the author. But the connection is there!
By the way, enjoy your reading! I presume you’ll continue to explore literary connections to the Valois in this club ;) I hope your experience with Christine de Pizan is as enjoyable as mine was!