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Nana (Les Rougon-Macquart, #9)
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Joana Marta's review
bookshelves: 1001-books-to-read-before-you-die, classics, les-rougon-macquart
Apr 28, 2014
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A crónica do Fauchery, intitulada a Mosca de Oiro, era a história de uma rapariga descendente de quatro ou cinco gerações de bêbados, o sangue estragado por uma hereditariedade de miséria e de bebedeira, que nela se transformava num desequilÃbrio nervoso do seu sexo de mulher. Brotara num bairro, nas ruelas parisienses; e alta, bela, de carnes soberbas, tal qual uma planta de estrumeira, vingava os vadios e os abandonados de que era produto. Com ela, a podridão que deixavam fermentar no povo, tornara a subir e apodrecia a aristocracia. Tornava-se numa força da natureza, num fermento de destruição, sem mesmo o querer, corrompendo e desorganizando Paris entre as suas coxas de neve, fazendo-o alterar como as mulheres fazem alterar o leite.
Não encontrei melhor do que este pequeno excerto, para dar uma noção muito breve, do que é este belo livro! Paris, eis que Nana surge nas bocas do mundo, quando no teatro Variedades (ou bordel, como preferiria Bordenave) aparece no papel de Vénus, torna-se um fenómeno que seduz os homens, com a sua confiança extremamente sensual, e deixa as mulheres a roerem-se de inveja. E de facto Nana é uma visão de mulher, com cabelos dourados e formas voluptuosas, esta cortesã torna-se, facilmente, numa prostituta de luxo em Paris, conseguindo ludibriar e manipular mulheres, e, especialmente, os homens a seu bel-prazer.
Nos primeiros capÃtulos é-nos descrita a vida em sociedade, as festas, os inúmeros eventos sociais e quem se move neles. É algo exaustiva e cansativa esta primeira parte, exige uma concentração a nÃvel do rol de personagens muito variado que nos é apresentado, e o ritmo mais lento com que estes eventos são relatados. Mas à medida que nos vamos embrenhando na história, esta vai-se focando nas personagens mais relevantes (que não deixam, por isso, de serem ainda algumas) e as descrições e crÃticas de Zola vão ficando cada vez mais acutilantes e realistas.
Nana é uma personagem, no mÃnimo, interessante, é-nos descrita uma Nana infantil, egoÃsta, manipuladora e temperamental, mas ao mesmo tempo é impossÃvel não sentir um certo carinho e compaixão por ela. Usa e abusa dos homens, fazendo com que estes esbanjem o que não têm e não podem com ela, lhe concedam todos os caprichos e desejos, já não sabendo viver sem ela.
Mas como refere o excerto, a podridão do povo alcançará também a aristocracia, e Nana verá o seu passado vingado, subjugando a alta sociedade e deixando-os entregues à sua própria destruição, nesta realidade decadente onde se movem. Um livro fabuloso no que se refere à descrição das classes francesas e especialmente da corrupção nas classes mais elevadas na Época de Napoleão III, sendo que Nana é a figura representante da época, evoluindo ambas ao mesmo ritmo.
Já há algum tempo que andava curiosa para ler Émile Zola e não podia ter começado melhor, mal posso esperar para deitar mão a outro dos tÃtulos desta série Les Rougon-Mcquart.
Era uma carÃcia aquele nome, um pequenino nome que se familiarizava em todas as bocas, Nana.
Nota � Qualquer nome ou excerto, que por algum motivo esteja traduzido de forma diferente ou alterado, deve-se ao facto da minha edição ser de 1968.
Não encontrei melhor do que este pequeno excerto, para dar uma noção muito breve, do que é este belo livro! Paris, eis que Nana surge nas bocas do mundo, quando no teatro Variedades (ou bordel, como preferiria Bordenave) aparece no papel de Vénus, torna-se um fenómeno que seduz os homens, com a sua confiança extremamente sensual, e deixa as mulheres a roerem-se de inveja. E de facto Nana é uma visão de mulher, com cabelos dourados e formas voluptuosas, esta cortesã torna-se, facilmente, numa prostituta de luxo em Paris, conseguindo ludibriar e manipular mulheres, e, especialmente, os homens a seu bel-prazer.
Nos primeiros capÃtulos é-nos descrita a vida em sociedade, as festas, os inúmeros eventos sociais e quem se move neles. É algo exaustiva e cansativa esta primeira parte, exige uma concentração a nÃvel do rol de personagens muito variado que nos é apresentado, e o ritmo mais lento com que estes eventos são relatados. Mas à medida que nos vamos embrenhando na história, esta vai-se focando nas personagens mais relevantes (que não deixam, por isso, de serem ainda algumas) e as descrições e crÃticas de Zola vão ficando cada vez mais acutilantes e realistas.
Nana é uma personagem, no mÃnimo, interessante, é-nos descrita uma Nana infantil, egoÃsta, manipuladora e temperamental, mas ao mesmo tempo é impossÃvel não sentir um certo carinho e compaixão por ela. Usa e abusa dos homens, fazendo com que estes esbanjem o que não têm e não podem com ela, lhe concedam todos os caprichos e desejos, já não sabendo viver sem ela.
Mas como refere o excerto, a podridão do povo alcançará também a aristocracia, e Nana verá o seu passado vingado, subjugando a alta sociedade e deixando-os entregues à sua própria destruição, nesta realidade decadente onde se movem. Um livro fabuloso no que se refere à descrição das classes francesas e especialmente da corrupção nas classes mais elevadas na Época de Napoleão III, sendo que Nana é a figura representante da época, evoluindo ambas ao mesmo ritmo.
Já há algum tempo que andava curiosa para ler Émile Zola e não podia ter começado melhor, mal posso esperar para deitar mão a outro dos tÃtulos desta série Les Rougon-Mcquart.
Era uma carÃcia aquele nome, um pequenino nome que se familiarizava em todas as bocas, Nana.
Nota � Qualquer nome ou excerto, que por algum motivo esteja traduzido de forma diferente ou alterado, deve-se ao facto da minha edição ser de 1968.
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April 28, 2014
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April 28, 2014
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July 5, 2014
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July 5, 2014
– Shelved as:
1001-books-to-read-before-you-die
July 5, 2014
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classics
July 14, 2014
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"estas férias não me estão nada a ajudar a pôr a leitura em dia..."
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161
July 17, 2014
–
Finished Reading
August 6, 2014
– Shelved as:
les-rougon-macquart
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[deleted user]
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Jul 17, 2014 03:10PM
Eu também ando a ler esta série - Rougon-Macquart..
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Já li La Fortune des Rougon e também li Au Bonheur des Dames. Não me lembro muito bem, mas sei que Zola combina muito bem a nova burguesia da altura com a prosperidade que se verificava na altura.Mas estou curioso por saber os próximos capÃtulos.Em relação ao último que acabei de citar,Au Bonheur des Dames conta a história de um género de feira-da-ladra ao ar-livre.É essa a ideia com que fico.

Tenho em casa os seguintes livros de Zola:
Le Ventre de Paris
La Faute de l'abbé Mouret
La Conquête de Plassans
La Curée
Penso que tenho mais ainda,mas para já são estes..
Le Ventre de Paris
La Faute de l'abbé Mouret
La Conquête de Plassans
La Curée
Penso que tenho mais ainda,mas para já são estes..

Também tenho em casa o "Germinal", que devo ler brevemente. Gostaria de ler "A taberna", pois parece relatar a história dos pais de Nana e a sua infância, mas não o encontro por aà - a biblioteca daqui tem-no disponÃvel, mas tenho o irritante hábito de preferir comprar livros em vez de os levar de bibliotecas.
Hugo wrote: "Carmo wrote: "Já tenho em casa "Germinal", que parece que é um dos melhores - vou guardá-lo para o fim . Ainda não li nada dele mas vou começar também pela Nana. Fizeste aqui um belo review, muito ..."
Para mim,é uma verdadeira obsessão,essa de comprar os livros..Mas,por vezes,também arranjo maneira de requisitar livros na biblioteca onde trabalho..
Para mim,é uma verdadeira obsessão,essa de comprar os livros..Mas,por vezes,também arranjo maneira de requisitar livros na biblioteca onde trabalho..

Por aqui arranja-se na biblioteca, mas já comprei o "Germinal" :( Se vir que não consigo mesmo comprá-lo, irei á biblioteca requisitá-lo em desespero de causa :)
LuÃs wrote: "Tenho em casa os seguintes livros de Zola:
Le Ventre de Paris
La Faute de l'abbé Mouret
La Conquête de Plassans
La Curée
Estes livros são os que tenho por ler..
Penso que tenho ..."
Le Ventre de Paris
La Faute de l'abbé Mouret
La Conquête de Plassans
La Curée
Estes livros são os que tenho por ler..
Penso que tenho ..."

Eu até gostava de ter o hábito de requisitar em bibliotecas, mas os meus Ãmpetos consumistas no que se concerne aos livros levam sempre a melhor. Quando dou por mim já tenho pilhas de livros comprados ainda por ler... que acabo sempre por voltar a aumentar bem antes de estas chegarem ao seu fim :)
Hugo wrote: "LuÃs wrote: "Hugo wrote: "Carmo wrote: "Já tenho em casa "Germinal", que parece que é um dos melhores - vou guardá-lo para o fim . Ainda não li nada dele mas vou começar também pela Nana. Fizeste a..."
EhEh...Passa-se exactamente o mesmo comigo..É uma doença saudável!!EhEh
EhEh...Passa-se exactamente o mesmo comigo..É uma doença saudável!!EhEh

Saudável para o intelecto... Para a carteira já nem tanto... :)

Os livros do Zola não têm sido editados recentemente. O que encontro são edições já com alguns anos e a maioria estão esgotados. O "Germinal", comprei-o há pouco mas é uma edição de 1982 da Europa-América com letras minusculas. Tenho tido a mesma resposta em todas as livrarias onde tenho procurado, quer seja na loja ou on-line.
Carmo wrote: "Eu faço as duas coisas, muitas vezes vou buscar livros à bib. com montes deles para ler em casa, simplesmente não consigo passar à porta sem entrar:)
Os livros do Zola não têm sido editados recente..."
É-me mais económico,em todas as vertentes,comprar os livros dele,em Francês..Por todas estas razões e mais algumas..
Os livros do Zola não têm sido editados recente..."
É-me mais económico,em todas as vertentes,comprar os livros dele,em Francês..Por todas estas razões e mais algumas..

Sou cliente assÃdua da Bertrand e da Wook.

Completamente Hugo!!! No final, já mal conseguia parar de ler! E não podia concordar mais com os reparos que fizeste na tua review. Especialmente do romance, pouco credÃvel, entre Nana e o Fontan.
LuÃs wrote: "Já li La Fortune des Rougon e também li Au Bonheur des Dames. Não me lembro muito bem, mas sei que Zola combina muito bem a nova burguesia da altura com a prosperidade ..."
Vou dar uma vista de olhos nesses tÃtulos LuÃs, obrigada! =)
Carmo wrote: "Já tenho em casa "Germinal", que parece que é um dos melhores - vou guardá-lo para o fim . Ainda não li nada dele mas vou começar também pela Nana. Fizeste aqui um belo review, muito elucidativo:)"
Muito obrigada Carmo! =D E acho que sou capaz de ter exactamente a mesma edição que tens do 'Germinal', e comprei também 'A Besta Humana' numa das livrarias da Europa-América. Mas é como dizes, já são edições antigas e as letras são mesmo pequenas, especialmente a do 'Germinal'.