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Joana Marta's Reviews > Germinal

Germinal by Émile Zola
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Quem era o idiota que punha a felicidade deste mundo na partilha da riqueza? Esses revolucionários, esses visionários, podiam à vontade demolir a sociedade e reconstruir outra que não acrescentariam uma alegria à humanidade, nem um dissabor lhe tirariam cortando a cada um sua fatia... Alargariam mesmo a desgraça da terra, fariam um dia uivar de desespero os próprios cães quando os arrancassem à tranquila satisfação dos instintos para os elevar aos insaciados sofrimentos das paixões. Não, o único bem era o não ser, e, sendo, ser a árvore, ser a pedra, menos ainda, o grão de areia, que não pode deitar sangue sob o tacão dos transeuntes. ±èá²µ.234

De todos os livros de Zola que li até ao momento, Germinal foi aquele que mais cicatrizes deixou gravadas em mim, e que automaticamente se tornou um dos meus favoritos.

É sujo, nojento, dá-nos vontade de olhar para o lado enquanto o lemos, tentando apagar o cenário que acabámos de construir na nossa cabeça. Novamente Zola escreve um livro que me faz sentir fisicamente nele, numa parafernália de cheiros, cores e sons que me deixa embriagada. Um livro cru, com um rol de personagens às quais nos afeiçoamos e com as quais sofremos ao longo de todo o enredo. Que nos impossibilita que o ponhamos de lado.

A forma brilhante com que Zola caracteriza o proletariado e lhe dá poder é inegável; a força dos mineiros que se podem, e devem, insurgir contra a burguesia, conquistando o que lhes pertence por direito. O capítulo da greve foi o meu preferido, não há um favorecer do proletariado em detrimento da burguesia. Zola consegue descrever ambas as classes sociais com o que de bom e mau cada um deles traz. Não estariam por ventura os mineiros a tentarem ser eles mesmos novos burgueses?

São poucas as palavras que tenho, e que me sobram, para numa medíocre tentativa conseguir transmitir o tanto que este livro me trouxe.

Há que descobrir a força que germina naqueles que são inconformados, que têm esperança. Sublime.
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Reading Progress

May 6, 2014 – Shelved as: to-read
May 6, 2014 – Shelved
July 28, 2014 – Shelved as: to-read-1001-books
November 15, 2015 – Started Reading
November 15, 2015 –
page 9
2.61%
November 15, 2015 – Shelved as: 1001-books-to-read-before-you-die
November 15, 2015 – Shelved as: classics
November 15, 2015 – Shelved as: historical-fiction
November 15, 2015 – Shelved as: les-rougon-macquart
November 23, 2015 –
page 14
4.06%
November 24, 2015 –
page 49
14.2%
November 25, 2015 –
page 74
21.45%
November 25, 2015 –
page 83
24.06%
November 26, 2015 –
page 95
27.54%
November 27, 2015 –
page 120
34.78%
November 30, 2015 –
page 136
39.42% "a adorar!!! *.*"
November 30, 2015 –
page 151
43.77%
December 1, 2015 –
page 184
53.33%
December 2, 2015 –
page 200
57.97%
December 3, 2015 –
page 239
69.28%
December 3, 2015 –
page 251
72.75% "Que brutalidade de livro! *.*"
December 4, 2015 –
page 267
77.39%
December 5, 2015 –
page 295
85.51%
December 5, 2015 – Shelved as: favorites
December 5, 2015 – Finished Reading

Comments Showing 1-2 of 2 (2 new)

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Joana Marta Nuno wrote: "Joana : costumas fazer comentários aos livros ou não ligas a isso ? Eu tinha escrito uma pequena nota a propósito do Émile Zola , mas acabei por apagá-la :) , porque não sei se isso te interessaria ."

Olá Nuno, nem a propósito. Já não escrevia há algum tempo, mas senti-me na obrigação de o fazer para este. Claro que sim, onde tinhas escrito? :) Eu peço desculpa, mas por algum motivo não recebo todas as notificações, quando me comentam nas publicações (nomeadamente esta, vi por acaso). Tenho receio que haja opiniões que às vezes acabem por me escapar por esse motivo.


Joana Marta Ah sim, há muito a sensação de, neste livro em particular, os mineiros serem tratados mais como meros instrumentos de trabalho do que propriamente como pessoas com alma e sentimentos...

Já tiveste oportunidade de o ler? :)


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