Í's Reviews > Um Conto de Duas Cidades
Um Conto de Duas Cidades
by
by

Existe sempre um motivo pelo qual eu termino livros que à partida eu não gosto: acredito em segundas oportunidades literárias; acredito que o autor pode eventualmente redimir-se nas próximas páginas. Foi o que aconteceu com este livro.
Comecei por achá-lo aborrecido. O aborrecimento tornou-se em desprezo e, foi nesses momentos que achei mais difícil continuar a caminhar pelas páginas como se tivesse algo a impedir-me de continuar a ler.
Mas não desisti. Eu acreditava que, no fundo, acabaria por gostar muito deste livro.
E a minha intuição não me falhou.

Um Conto de Duas Cidades é um viagem fantástica pela alma humana durante as privações da Revolução Francesa e a Tomada de Bastilha.
O enredo conta a história de Dr. Manette, um médico tido como preso na penitenciária La Force, em França. A sua filha, Lucie, ficou sob a protecção de um grande amigo seu, o senhor Lorry, funcionário no banco Tellson. Durante o seu tempo de reclusão, Manette dedica-se a fazer sapatos com fervor, atingindo a demência nos dezoito anos em que lá permanece.
Ao ser salvo pela filha, certo de que ela sabia da sua existência e que tinha lutado muito por libertá-lo, a sua lucidez retorna e começa a viver feliz ao lado da filha que tudo faz por ele.
Lucie acaba por conhecer três homens, muito afeiçoados à sua família por parte de Manette, seu pai, que estão interessados em pedir a sua mão em casamento, mas no entanto, ela já se encontrava apaixonada por Charles Darnay, ex-aristocrata francês que renunciou aos poderes e regalias da aristocracia que advinham da exploração de pessoas abaixo do nível da pobreza que raramente tinham o que comer. Mudou-se para Inglaterra mais ou menos ao mesmo tempo que Manette e Lucie e pediu a mão da última em casamento.
O seu pai aceitou com muita felicidade, não vendo outro pretensor a genro melhor do que Darnay.
Casam-se, têm uma filha e, alguns anos depois, a Revolução Francesa rebenta: a República é implementada, são presas milhares de pessoas, algumas delas inocentes e, infelizmente, dão Darnay como acusado de ser aristocrata e, que deve, por isso, pagar com a sua morte.
Contei apenas os pormenores mais brutos e importantes, mas esta obra tem demasiadas nuances para este sumário lhe fazer justiça.
Não é uma obra que conta a história da Revolução Francesa. É uma obra que conta a tenacidade do espírito humano em tempos de extrema dificuldade: a sobrevivência à morte daqueles que mais amamos, a coragem imposta em 'fazer das tripas coração', a bravura que é necessário ter para salvar a nossa própria pele, o quanto defendemos os nossos ideais para arriscarmos a vida por eles e, sobretudo, amizade, amor e fidelidade aonde menos se espera encontrar.
É um lindo trabalho de literatura que merece ser lido com calma, abertura de espírito e sim, alguma paciência, mas compensa.
Comecei por achá-lo aborrecido. O aborrecimento tornou-se em desprezo e, foi nesses momentos que achei mais difícil continuar a caminhar pelas páginas como se tivesse algo a impedir-me de continuar a ler.
Mas não desisti. Eu acreditava que, no fundo, acabaria por gostar muito deste livro.
E a minha intuição não me falhou.

Um Conto de Duas Cidades é um viagem fantástica pela alma humana durante as privações da Revolução Francesa e a Tomada de Bastilha.
O enredo conta a história de Dr. Manette, um médico tido como preso na penitenciária La Force, em França. A sua filha, Lucie, ficou sob a protecção de um grande amigo seu, o senhor Lorry, funcionário no banco Tellson. Durante o seu tempo de reclusão, Manette dedica-se a fazer sapatos com fervor, atingindo a demência nos dezoito anos em que lá permanece.
Ao ser salvo pela filha, certo de que ela sabia da sua existência e que tinha lutado muito por libertá-lo, a sua lucidez retorna e começa a viver feliz ao lado da filha que tudo faz por ele.
Lucie acaba por conhecer três homens, muito afeiçoados à sua família por parte de Manette, seu pai, que estão interessados em pedir a sua mão em casamento, mas no entanto, ela já se encontrava apaixonada por Charles Darnay, ex-aristocrata francês que renunciou aos poderes e regalias da aristocracia que advinham da exploração de pessoas abaixo do nível da pobreza que raramente tinham o que comer. Mudou-se para Inglaterra mais ou menos ao mesmo tempo que Manette e Lucie e pediu a mão da última em casamento.
O seu pai aceitou com muita felicidade, não vendo outro pretensor a genro melhor do que Darnay.
Casam-se, têm uma filha e, alguns anos depois, a Revolução Francesa rebenta: a República é implementada, são presas milhares de pessoas, algumas delas inocentes e, infelizmente, dão Darnay como acusado de ser aristocrata e, que deve, por isso, pagar com a sua morte.
Contei apenas os pormenores mais brutos e importantes, mas esta obra tem demasiadas nuances para este sumário lhe fazer justiça.
Não é uma obra que conta a história da Revolução Francesa. É uma obra que conta a tenacidade do espírito humano em tempos de extrema dificuldade: a sobrevivência à morte daqueles que mais amamos, a coragem imposta em 'fazer das tripas coração', a bravura que é necessário ter para salvar a nossa própria pele, o quanto defendemos os nossos ideais para arriscarmos a vida por eles e, sobretudo, amizade, amor e fidelidade aonde menos se espera encontrar.
É um lindo trabalho de literatura que merece ser lido com calma, abertura de espírito e sim, alguma paciência, mas compensa.
Sign into ŷ to see if any of your friends have read
Um Conto de Duas Cidades.
Sign In »
Quotes Í Liked

“Devolva-se a humanidade à forja que a criou e utilizem-se martelos semelhantes para tornar a esculpi-la e ela se contorcerá na mesma imagem torturada.”
― Um Conto de Duas Cidades
― Um Conto de Duas Cidades
Reading Progress
November 18, 2014
– Shelved
November 18, 2014
– Shelved as:
to-read
December 15, 2014
–
Started Reading
December 15, 2014
– Shelved as:
2014
December 15, 2014
–
15.0%
"Apesar da estória ser interessante não consigo gostar muito do estilo de escrita de Dickens: é repetitivo, extenso e desnecessário. Podem atacar-me, mas é assim que me sinto. Não preciso de um parágrafo inteiro a explicar a revolta do mar em maré cheia, uma frase chega."
December 17, 2014
–
30.0%
December 18, 2014
–
40.0%
"Finalmente estou a ganhar mais ritmo e já estou a gostar mais do livro :)"
December 18, 2014
–
50.0%
"A aproveitar todos os momentos porque amanhã é que não vai haver mesmo tempo nenhum para ler. Mais um motivo para não gostar do natal :D"
December 19, 2014
–
65.0%
December 20, 2014
–
Finished Reading
Comments Showing 1-13 of 13 (13 new)
date
newest »

message 1:
by
Renato
(new)
Dec 20, 2014 11:29AM

reply
|
flag

Também acabei por gostar imenso. Não só fala da alma humana como sempre acabamos por aprender alguma coisa História.
Renato wrote: "Ah, que bom que saber que gostou deste. Ainda não o li, e o próximo do Dickens que devo ler é Bleak House, mas bom deixar este também na lista!"
Também tenho Bleak House na lista mas como é uma obra tão grande e densa, vou deixar para depois. Ainda me sinto um pouco assoberbada com este livro que acabei de ler.




It will be a long time until I get to this one again though. I like the ones from his middle period, and think this is when he did his greatest work. Do you?

Sadly A Tale of Two Cities is the only I read of his (besides A Christmas Carol), so I don't really have a ground of comparison. I do have a few of his to read next (Bleak House, Oliver Twist and a few others). I think my next will be Bleak House, I heard wonders about it. Tell me what you think :)

Sorry for the misuderstanding. I looked at your shelves and saw a few works by Charles Dickens, but clearly didn't pick up on the fact that they were "to read". I'm so glad you enjoyed this one though. I've reviewed all the early ones, including those you mention: A Christmas Carol and Oliver Twist, if you are interested.